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A partir de Documentos Pontifícios

Cidade de Belém, onde nasceu o Menino Deus

No dia 30 de novembro de 1992, João Paulo II divulgou uma mensagem de saudação ao Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Frei Hermann Schaluek, pelo 650° aniversário da Bula “Gratias agimus” do Papa Clemente VI. Mediante este documento foi confiada a custódia dos Lugares que recordam os Mistérios da Redenção aos filhos de São Francisco, que já se achavam ali desde os tempos de seu Fundador e Pai, no ano de 1217.

Em sua mensagem de saudação, João Paulo II lembra que os Franciscanos não interromperam jamais sua benéfica presença, apesar das inúmeras dificuldades ao longo de todos esses séculos. Empenharam-se generosamente na conservação das antigas memórias, na construção de novos santuários, na animação litúrgica e acolhimento aos peregrinos.

Frei José Nazzaro, Custódio da Terra Santa em 1992, lembra o constante traço de afeto encorajador dos Sumos Pontífices ao longo dos séculos, desde Gregório IX, antes, Cardeal Hugolino, amigo, conselheiro e protetor da então, Ordem Franciscana nascente. – Gregório IX, com a Bula “Si Ordinem Fratrum Minorum”, de 1° de fevereiro de 1230, foi o primeiro Papa a confirmar e estimular a ação evangelizadora dos Frades, apresentando-os junto aos Patriarcas de Antioquia e Jerusalém.

- Clemente VI, com a Bula “Gratias agimus”, de 21 de novembro de 1342, confiou aos Frades a guarda do Santo Sepulcro e do Cenáculo, estabelecendo, desta maneira, o ano do nascimento da Custódia da Terra Santa. Esta bula serviu como atestado de confiança do trabalho que os franciscanos ali desenvolviam há mais de um século.

Jardim das Oliveiras

- Martinho V reconfirma a ampla confiança no trabalho exercido pelos Frades, mais de um século depois, com a Constituição Apostólica “Ad assiduum”, de 7 de julho de 1420.

- Inocêncio I, em 30 de abril de 1686, com a “Expone nobis”, procura dar ânimo novo aos Frades que por muitos séculos, haviam enfrentado grandes dificuldades, característica deste serviço apostólico.

Alguns historiadores, recordando os que morreram de epidemias, privações e outras adversidades, lembram que milhares de franciscanos padeceram durante vários séculos, especialmente nos três primeiros.

- Pio IX (Breve “Romani pontifices”, 18 de agosto de 1856). Confortava os Frades, reconhecendo que “não se retiraram nunca diante da fadiga de qualquer natureza, diante de qualquer privação, nem mesmo diante do perigo da morte, porque estavam à altura de sua missão”.

- Leão XIII (Breve “Salvatoris ac Domini”, 26 de dezembro de 1887) relembra os “perigos, perseguições, vexames e torturas” suportados por nossos Irmãos Franciscanos.

- Bento XV (Breve “Indytum Fratrum Minorum”, 4 de outubro de 1918) lembra os mártires da fé e da caridade: “Muitos deram a vida pela fé católica; e muitos morreram como mártires da caridade a serviço das vítimas da peste”.

- Bento XV (Breve “Indytum Fratrum Minorum”, 4 de outubro de 1918) lembra os mártires da fé e da caridade: “Muitos deram a vida pela fé católica; e muitos morreram como mártires da caridade a serviço das vítimas da peste”. (Jardim das Oliveiras)
- Pio XI (Carta Apostólica “Nihil profecto”, 18 de abril de 1924), Em contexto de reconhecimento pelo trabalho na Terra Santa: “Os méritos dos Franciscanos não devem passar em silêncio; ninguém deve ignorar”.

- Pio XII (Carta “Quinque ante annos”, 1° de julho de 1947). No VI centenário da fundação da Custódia, evoca a aplicação e presença dos Frades nas variadas atividades de evangelização, serviço do culto, obras de caridade, unidade dos cristãos, etc.

- João XXIII (Carta Apostólica “Sacra Palestinae loca”, 17 de abril de 1960) Dirigida ao Ministro Geral da Ordem, Frei Agostinho Sépinski, com palavras de apoio, reconhecimento e entusiasmo: “Não teremos nunca louvores suficientes para com teus Confrades, os quais, desde que assumiram a Custódia daqueles Lugares, procuraram, de todas as formas, que fosse bem conservado e protegido aquele inestimável patrimônio, comum a todos os cristãos… Bem sabemos até que deveu-se à vigilância dos teus religiosos que os fiéis que se dirigem em piedosa peregrinação aos Lugares Santos ainda podem beijar os sacrossantos vestígios de Nosso Senhor”.

Santuário de Emaús

Paulo VI o Papa peregrino e primeiro a ir à Terra Santa em peregrinação – “ Uma Viagem Histórica” – em 1964 lembrado por João Paulo II em sua mensagem de 1992: “Grata admiração a todos os beneméritos filhos de São Francisco que, no correr dos séculos, desenvolveram, com tanta abnegação, um precioso e fecundo serviço de fiel apostolado” (Acta Custodiae Terrae Sanctae, 9 (1964,79).

João Paulo II em sua mensagem, segue a mesma linha histórica, de gratidão e de materna atenção, a exemplo daqueles que o antecederam. “Apela para a consciência e o sentido de Igreja de toda a Ordem”. Frei José Nazzaro, na “Mensagem a toda a Ordem”, em 25 de março de 1993, escreve: “É do conhecimento do Santo Padre de como, ao longo de seis séculos e meio, a nossa presença se ampliou em círculos concêntricos sempre mais largos, além da área focal da custódia dos Santuários. Chegou a ser, e ainda hoje é, uma presença que abrange todo o Oriente Médio. (…) Nosso empenho pela Terra Santa, contudo, é muito mais vasto que esta circunscrição geográfica, estendendo-se para nosso senso de responsabilidade e obrigatória atuação”, observando e testemunhando a vida Cristã e Franciscana.

“Conscientes de seu primitivo carisma, os frades se prodigalizaram no serviço aos irmãos, sustentando os pobres e os fracos, instruindo os mais jovens, abrigando os anciãos e os enfermos… À atividade pastoral adicionaram a cultural, fundando centros de estudo da Palavra de Deus e da divulgação da rica cultura do Oriente cristão”.

“Não passa despercebido a ninguém, especialmente, a situação histórica, já a situação eclesial é bem diversa da de quando a Custódia dos Lugares Santos nos foi confiada. A Igreja de Deus que está em Jerusalém evolui sempre mais positivamente buscando sua identidade própria e autonomia, com seus pastores, seu clero, seu laicato, e nós mesmos somos parte ativa dela, com nosso amor de sempre para com a Igreja, e para com esta Igreja, embora cientes de todas as nossas limitações. Ora, nestas circunstâncias, o Papa exorta-nos a “perseverar”, a “prosseguir” em nosso serviço (…) de particular missão, com deveres e responsabilidades (…) para com os Lugares Santos.” (Vida Franciscana, n° 67, dezembro de 1993).